BATNA ou ZOPA: qual a diferença e como usar as duas juntas
Resposta direta
A BATNA é a sua melhor alternativa caso a negociação não dê certo; ela define o seu limite. A ZOPA é a faixa entre o limite de um lado e o limite do outro, onde um acordo é possível. Você calcula a BATNA primeiro, deriva dela o seu ponto de reserva e só então estima se existe ZOPA e onde ela fica.
Quem estuda negociação esbarra nessas duas siglas logo no começo, e é comum misturá-las. Elas aparecem juntas, falam de limites e de acordo, mas respondem a perguntas diferentes. Entender a diferença evita dois erros caros: aceitar um acordo pior do que a sua alternativa e desistir de um acordo que era possível.
A diferença em poucas palavras
BATNA (do inglês Best Alternative to a Negotiated Agreement) é a melhor coisa que você pode fazer se a negociação não der certo. É algo concreto e só seu: outra proposta de emprego, outro fornecedor, continuar no imóvel atual, consertar o carro em vez de trocar.
ZOPA (Zone of Possible Agreement) é a faixa de valores em que os dois lados preferem fechar o acordo a seguir com as próprias alternativas. Ela não pertence a ninguém. É uma interseção.
Uma forma simples de lembrar:
| BATNA | ZOPA | |
|---|---|---|
| Pergunta que responde | "O que eu faço se não fechar?" | "Existe um acordo possível? Onde?" |
| De quem é | Sua (o outro lado tem a dele) | Dos dois lados juntos |
| O que define | O seu limite | O espaço entre os limites |
| Quando calcular | Primeiro | Depois, a partir dos limites |
Como uma alimenta a outra
A sequência importa. Você não consegue enxergar a ZOPA sem antes saber onde fica o seu limite, e o limite vem da alternativa.
- Mapeie suas alternativas. Liste o que você faria se a conversa terminasse sem acordo.
- Escolha a melhor delas. Essa é a sua BATNA.
- Traduza a BATNA em um número. Esse número é o seu ponto de reserva: o pior acordo que ainda vale mais que a alternativa.
- Estime o limite do outro lado. Pense na BATNA dele: o que ele faz se você disser não?
- Compare os dois limites. Se eles se sobrepõem, existe ZOPA. Se não, não há acordo possível nesse formato.
Repare que a BATNA entra duas vezes: a sua define uma ponta da zona, a do outro lado define a outra ponta.
Exemplo com números
Números ilustrativos. Marcos quer vender o carro. Uma loja de seminovos já ofereceu R$ 52.000 à vista, com transferência por conta dela. Essa é a BATNA dele.
Um comprador particular aparece interessado. Marcos raciocina assim:
- Vender para um particular dá mais trabalho: anúncio, visitas, cuidado com pagamento e documentação. Ele estima esse custo em R$ 1.000.
- Logo, o ponto de reserva dele com o particular é R$ 53.000. Abaixo disso, a loja é melhor.
Agora o lado do comprador. Carros parecidos, em anúncios de lojas, estão em torno de R$ 60.000, com garantia. Comprando de particular, o comprador abre mão dessa garantia, então provavelmente não pagaria mais que uns R$ 57.000. Esse é o limite estimado dele.
ZOPA estimada: entre R$ 53.000 e R$ 57.000.
Com isso, Marcos sabe três coisas:
- Existe acordo possível.
- A primeira oferta dele deve ficar perto ou um pouco acima do teto estimado do comprador, por exemplo R$ 58.500, para ter espaço de concessão.
- Se o comprador oferecer R$ 51.000 e não subir, ele agradece e vende para a loja sem drama.
Os erros de quem confunde as duas
Tratar a meta como BATNA. "Minha BATNA é vender por R$ 58.000" não faz sentido. Isso é um desejo, uma meta. A BATNA é o que acontece se ninguém pagar isso.
Calcular a ZOPA só com o próprio lado. Sem pensar na alternativa do outro, a ZOPA vira um chute. Pergunte sempre: "Se ele não fechar comigo, o que ele faz? Quanto isso custa para ele?"
Achar que a ZOPA é fixa. Ela muda quando as alternativas mudam. Se Marcos receber uma oferta melhor de outra loja, a ponta dele sobe. Se o comprador encontrar um carro parecido mais barato, a ponta dele desce. Por isso vale fortalecer a sua BATNA antes de negociar.
Esquecer o que não é preço. A ZOPA de preço pode não existir, mas a negociação tem outros itens: prazo, forma de pagamento, garantia, entrega. Juntar esses itens pode criar espaço onde antes não havia. Isso é criação de valor.
O que dizer usando as duas
Você não precisa citar as siglas na conversa. Elas trabalham por trás:
- Usando a BATNA: "Tenho uma proposta firme de outra loja e prefiro resolver hoje. Se fizer sentido para você, consigo fechar por R$ 56.000."
- Testando a ZOPA: "Qual valor faria sentido para você, pensando no que você encontrou em lojas?"
- Quando o outro lado sai da ZOPA: "Abaixo de R$ 53.000 eu não consigo. Se esse for o seu teto, acho melhor cada um seguir o seu caminho, sem problema."
A última frase só funciona porque a BATNA é real. Sem ela, vira blefe.
E a WATNA?
Algumas pessoas usam também a WATNA, a pior alternativa possível se não houver acordo. Ela ajuda a avaliar risco: se a BATNA é incerta, vale pensar no cenário ruim. Mas para definir limite e enxergar a zona de acordo, BATNA e ZOPA são as que importam.
Como praticar
Antes da próxima negociação, escreva em uma folha:
- sua BATNA, em uma frase;
- seu ponto de reserva, em um número;
- a BATNA provável do outro lado;
- o limite estimado dele;
- a ZOPA, se existir.
Se preferir fazer isso com apoio, a calculadora de BATNA ajuda a comparar alternativas e a calculadora de ZOPA mostra se os limites se encontram e onde. Para aprofundar cada conceito, leia o que é BATNA e ZOPA, a zona de acordo.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre BATNA e ZOPA em uma frase?
A BATNA é o que você faz se sair da mesa sem acordo; a ZOPA é o intervalo de valores em que os dois lados preferem fechar a sair da mesa.
Dá para ter ZOPA sem conhecer a BATNA?
Não com segurança. A ZOPA depende dos limites de cada lado, e o limite vem da alternativa. Sem saber a sua BATNA, você não sabe onde fica a sua ponta da zona de acordo.
E se não existir ZOPA?
Então não há acordo possível nas condições atuais. Você pode tentar mudar a negociação, incluindo outros itens além do preço, ou seguir com a sua BATNA. Fechar fora da ZOPA significa aceitar algo pior que a sua alternativa.
Devo revelar minha BATNA para o outro lado?
Depende. Se ela é forte, mencioná-la pode ajudar a puxar o acordo a seu favor. Se é fraca, revelar tende a enfraquecer a sua posição. O que você quase nunca deve revelar é o seu ponto de reserva exato.
Sergio Torres
CCNS, PMP, PMI-ACP, PMI-RMP, PRINCE2 Agile Practitioner, PSPO, ASF. Instrutor APMT (Approved Product Management Trainer) credenciado pela PMCert para o preparat...
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