Glossário
Policial bom, policial mau
Definição
Policial bom, policial mau é uma tática de pressão em que um negociador assume postura dura e outro, postura amigável, para levar a outra parte a aceitar a proposta do lado aparentemente gentil.
Exemplo
Exemplo ilustrativo: uma empresa de engenharia de Vitória apresenta proposta de R$ 90.000 para um projeto. Seu ponto de reserva é R$ 80.000.
Na reunião com o cliente:
- O diretor financeiro (o "mau") afirma, de forma ríspida: "Isso vale no máximo R$ 70.000. Acima disso, não assino."
- Depois que ele sai da sala, a gerente de projetos (a "boa") diz: "Ele é difícil, mas eu consigo convencê-lo a aprovar R$ 82.000 se vocês fecharem hoje."
R$ 82.000 parece um alívio diante dos R$ 70.000, mas, na prática, representa uma concessão de R$ 90.000 − R$ 82.000 = R$ 8.000 feita sob pressão, sem nenhuma contrapartida.
O engenheiro reconhece a tática e responde à gerente: "Entendo a posição de vocês. Nossa proposta se baseia em 600 horas de trabalho a R$ 150 por hora (600 × R$ 150 = R$ 90.000). Se o orçamento é menor, podemos reduzir o escopo em vez de reduzir o valor da hora."
Como usar
- Reconheça o padrão: dois papéis contrastantes, um ataque seguido de "ajuda".
- Trate os dois como representantes da mesma organização, com os mesmos interesses.
- Não reaja ao tom do "policial mau"; responda à substância.
- Volte para critérios objetivos e para sua proposta justificada.
- Se quiser, nomeie a tática com calma: "parece que estamos fazendo um jogo de papéis; vamos falar dos números".
- Mantenha seu ponto de reserva e só faça concessões em troca de algo.
Erro comum
Sentir gratidão pelo "policial bom" e ceder para retribuir a gentileza. A proposta "salvadora" é apenas a posição real da outra parte. Este verbete descreve a tática para que você a reconheça e a neutralize; usá-la de forma deliberada costuma prejudicar a confiança e o relacionamento futuro.