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Mapa da Negociação
Negociação em projetos Caso composto (anonimizado)

Cliente pede integração nova como se fosse parte do escopo

Contexto

Uma consultoria de tecnologia implanta um sistema de gestão comercial para uma rede varejista. O contrato é de preço fixo, R$ 600.000, com prazo de oito meses e entrada em produção prevista para seis semanas antes do período de maior venda do ano. O escopo lista as integrações com o ERP e com o sistema de pagamentos.

No quinto mês, o gerente de projetos da consultoria recebe um pedido da gerente de TI do cliente: integrar o novo sistema também à plataforma de comércio eletrônico, contratada pela rede depois da assinatura do contrato.

Problema

A equipe estima 400 horas para a integração, o que, ao preço de R$ 180 por hora previsto no contrato para serviços adicionais, equivale a R$ 72.000. A gerente de TI afirma que "integração com canais de venda sempre fez parte do combinado" e que não tem orçamento para aditivo. O documento de escopo não menciona comércio eletrônico.

Escolha o que você faria

Sua vez

O cliente pede uma integração que não estava no contrato e diz que ela 'sempre fez parte do combinado'. O que você faria?

Escolha uma opção para ver a análise completa do caso.

Análise

Interesses

Cliente: colocar o sistema no ar antes do pico de vendas, ter pedidos online e de loja no mesmo fluxo, não estourar um orçamento já aprovado e não precisar explicar à diretoria uma falha na especificação inicial.

Consultoria: preservar a margem do projeto, manter o prazo, ter um cliente satisfeito que sirva de referência e evitar que pedidos informais se tornem rotina.

Poder

A consultoria tem o contrato e o documento de escopo a seu favor, além de ser a única equipe com conhecimento do sistema já configurado. O cliente tem o poder do pagamento das parcelas finais, do aceite e da renovação de suporte, além da influência sobre a reputação da consultoria no setor.

Alternativas

BATNA da consultoria: seguir o escopo original e recusar a integração. O contrato a protege, mas o risco de desgaste no aceite final e na renovação do suporte é real. A margem planejada do projeto é de 18%, ou R$ 108.000; absorver a integração a custo interno (400 horas a R$ 125 por hora, R$ 50.000) reduziria a margem para R$ 58.000.

BATNA do cliente: contratar a integração com um terceiro. Uma cotação recebida indica R$ 95.000, além do esforço de coordenar duas empresas no mesmo ambiente e do risco de atrasar a entrada em produção.

Há espaço para acordo entre o custo da consultoria (R$ 50.000) e a alternativa do cliente (R$ 95.000).

Estratégias possíveis

A opção a parece generosa, mas cria precedente, reduz a margem pela metade e transforma "compensar depois" em uma promessa que ninguém registra. A opção b está correta no mérito, porém ignora a restrição real do cliente e empurra a gerente de TI para uma posição defensiva diante da própria diretoria. A opção d é a pior: esconde uma decisão de risco do cliente e da própria empresa e pode comprometer a qualidade justamente antes do pico de vendas.

A opção c trata o pedido como uma mudança legítima, torna o impacto visível e deixa o cliente escolher entre caminhos viáveis, sem discutir quem errou na especificação.

O que aconteceu

O gerente de projetos registrou o pedido como solicitação de mudança e, em vez de debater a interpretação do contrato, apresentou três opções: incluir tudo com aditivo de R$ 72.000; trocar escopo, retirando itens de menor prioridade; ou dividir a integração em fases.

Na conversa, descobriu que dois relatórios gerenciais previstos no contrato, estimados em 120 horas, poderiam ser substituídos por painéis da própria plataforma de comércio eletrônico. A troca foi aceita. As 280 horas restantes viraram aditivo de R$ 50.400, faturado em duas parcelas, sendo a segunda no ano fiscal seguinte, o que resolveu a restrição orçamentária do cliente.

A integração de pedidos entrou em produção na data prevista; a de devoluções foi feita três semanas depois, fora do período crítico. A consultoria preservou a margem e o cliente apresentou à diretoria um plano, não um problema.

Lições

  • Registre toda mudança de escopo, mesmo quando decidir não cobrar por ela.
  • Discuta impacto, não culpa: "o que muda em prazo e custo" é mais produtivo do que "isso não estava no contrato".
  • Ofereça opções: aditivo, troca de escopo e faseamento resolvem restrições diferentes.
  • Descubra a restrição real do cliente; muitas vezes ela é de calendário orçamentário, não de valor.
  • Nunca absorva mudanças escondidas: o risco aparece no pior momento.
Dica: experimente “ZOPA”, “reajuste de fornecedor” ou “contraproposta salarial”.